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Sabará: o tesouro de Minas Gerais

Por Renato Barros em 17.04.2019.


Sabará é uma das cidades históricas mineiras mais próximas de Belo Horizonte, a apenas 24 km, quase um bairro da capital. Mesmo assim, não é tão visitada como a celebrada Ouro Preto ou a pitoresca Tiradentes, que ficam mais distantes. Ignorá-la, entretanto, pode ser um erro.

Sabe aquele ditado popular que diz: “quem vê cara não vê coração”? Pois o mesmo pode ser aplicado à cidade. Diferentemente dos núcleos urbanos mais famosos do ciclo do ouro, ela não possui um conjunto arquitetônico homogêneo, e, portanto, não inspira nenhum amor à primeira vista.

Primeiramente, porém, não se deve mesmo julgar pelas aparências, pois as principais atrações de Sabará não podem ser vistas da rua: é preciso conhecer o interior dos prédios para se surpreender.

Como não é permitido fotografar os recintos, fica ainda mais difícil comprovar essa afirmação. De todo modo, entretanto, a cidade pode ser considerada uma das mais interessantes de Minas Gerais. E merece ser incluída nos principais roteiros.

Vejamos, agora, outros motivos que confirmam isso, lembrando que, assim como os bandeirantes trazidos aqui pela busca do ouro, você vai precisar “garimpar” para descobrir o que a cidade tem de melhor.

Sabará: um patrimônio surpreendente

Para começar uma visita à cidade, o melhor é partir da sua praça principal. Nela desponta o esqueleto da inacabada Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, cuja construção foi interrompida pela abolição da escravatura. Ao lado dela, fica o Chafariz do Rosário, da mesma época da igreja (século 18).

A poucos passos dali, ficam a casa onde nasceu o escritor Júlio Ribeiro, autor do romance naturalista “A carne”, e o Teatro Municipal, de 1819, que foi visitado pelos imperadores D. Pedro I e D. Pedro II. Ainda hoje, recebe espetáculos.

Visita feita, é hora de se deslocar até o incrível Museu do ouro, localizado em uma das construções mais autênticas de Minas, a antiga Casa de Intendência e Fundição.

Com rico acervo, o museu impressiona por suas bem realizadas ambientações, que reconstroem aspectos da vida doméstica das Minas Gerais do Século 18. (De tão realista, parece até que os verdadeiros moradores dali se ausentaram durante nossa visita, podendo retornar a qualquer momento…).

Além de todos estes locais, Sabará tem outros prédios públicos que merecem ser visitados por sua originalidade, como, por exemplo, a chamada Casa de Borba Gato. Ela certamente impressiona por sua imponência, mas, certamente, não pertenceu ao bandeirante que lhe deu nome.

Mais além, está o Solar do Padre Correia (onde funciona a Prefeitura de Sabará), com capela atribuída a Aleijadinho. Logo em frente, encontra-se uma casa com portada rococó, e que pertenceu a outro padre, irmão de Correia. Segundo a tradição oral, os dois disputavam para ter a residência mais bonita da cidade.

Arquitetura religiosa: outra grande atração de Sabará

Depois de visitar os prédios civis, você não pode deixar de conhecer as igrejas de Sabará. Elas estão entre as mais antigas do estado.

A Matriz de Nossa Senhora da Conceição, por exemplo, data de 1701. Seu exterior sóbrio, no entanto, não dá nenhuma pista sobre as surpresas do interior: uma verdadeira profusão de talhas e pinturas ao gosto oriental.

A igreja apresenta características das três fases do barroco, e entre suas curiosidades está uma capela funerária cercada de pinturas com os cavaleiros do apocalipse.

No forro, imagens mostram vários tipos de chapéus usados por bispos, padres e militares, simbolizando que a morte iguala todas as pessoas, sem mais nada para distingui-las.

Igreja do Carmo: as marcas do Aleijadinho

Construída na segunda metade do século 18, a Igreja do Carmo é imperdível para os admiradores do escultor Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. (Ele teria morado em uma casa localizada a alguns passos do templo, ainda hoje de pé). Entre suas obras, estão a fachada de pedra-sabão e o coro sustentado por figuras mitológicas (os Atlantes). Além disso, estão também os púlpitos, considerados obras-primas de sua autoria.

Igreja de Nossa Senhora do Ó: ponto alto da viagem

Se a Matriz da Conceição e a Igreja do Carmo já causam seu impacto, certamente elas são apenas uma preparação para o prédio religioso mais impressionante de Sabará.

Trata-se da Igreja de Nossa Senhora do Ó, assim chamada por ter sido erguida em homenagem à Nossa Senhora da Expectação do Parto.

Verdadeiro marco da arquitetura mineira, o templo possui uma fachada sóbria, com rabichos no telhado remetendo a um pagode chinês.

Assim como a Matriz de Sabará, a fachada despista toda a suntuosidade e exotismo do seu interior. Nele, podemos encontrar santos com olhos amendoados e pinturas chinesas: em resumo, você só acredita vendo…

A essas alturas, você também já pode estar se perguntando: “mas onde é mesmo que eu estava, que nunca fui à Sabará”?

Certamente, você estava muito ocupado com outras cidades, talvez ali mesmo em território mineiro. Depois de conhecer Sabará, entretanto, corre o risco até mesmo de querer voltar.

Para isso, os moradores locais têm uma receita que dizem ser infalível: basta tomar um gole da água do Chafariz do Caquende, no Centro Histórico da cidade, para garantir o retorno.

Então, que assim seja: nos revemos em Sabará!

Bônus: versos no caminho

Falar de Minas também é falar de poesia. A região brasileira onde floresceu nosso Arcadismo é realmente inspiradora, como comprova este poema inédito de Virgílio Maia para o blog Mundo na Janela, sobre os encantos da paisagem das Gerais.

Onde se hospedar

Você pode visitar Sabará em um único dia. Geralmente, os passeios são feitos em um bate-volta a partir de Belo Horizonte. (Devido à proximidade, é possível ir de Uber, táxi, ônibus ou carro alugado). Existem muitas opções de hotéis em Belo Horizonte. Mesmo assim, se preferir ficar em Sabará, consulte as opções de hospedagens oferecidas na cidade.

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