Mundo na Janela

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Um passeio em Dubrovnik, na Croácia

Por Renato Barros em 24.04.2019.

Viajar pela região sul da Croácia é uma experiência memorável. Enquanto o veículo vai serpenteando colinas cobertas por uma rala vegetação, lá embaixo se avistam, a cada curva, igrejas de influência veneziana e torres marrons de velhas fortificações, em contraste com o azul intenso do Mar Adriático.

Entre as cidades croatas de Split e Dubrovnik, passa-se obrigatoriamente por Neum (abaixo), na faixa litorânea da Bósnia (de apenas 25 quilômetros de extensão), onde é preciso apresentar o passaporte a um oficial bósnio.

Poucos minutos depois, reaparece a fronteira, e será a vez de um policial croata averiguar a documentação, pois já se está de novo na Croácia. – A partir daí, um litoral ainda mais surpreendentemente recortado espera o visitante.

Dubrovnik é uma cidade que impressiona de imediato. Suas muralhas e torreões (abaixo) parecem defender a cidade não mais de invasores estrangeiros, mas do próprio escorrer das eras.

Cruza-se uma ponte levadiça sob a lua cheia e eis o mundo quase como sempre fora: um extenso calçadão de mármore branco se estende do Portão de Pile ao porto da cidade, a qual no século XV chegou a ser uma república chamada Ragusa, florescendo com o comércio marítimo e construindo a própria frota de navios.

Que ninguém se deixe enganar, entretanto: a sensação de segurança e refúgio, nesse mundo, é sempre temporária. Em 1808, a cidade foi invadida por tropas napoleônicas, que cuidaram de pôr fim à república, mas a verdadeira tragédia ocorreu muito antes disso.

Devastada por um terrível terremoto em 1667, Dubrovnik perdeu muitas de suas construções renascentistas e viria a ser reerguida na forma como a conhecemos hoje, com muitos prédios barrocos. Em meio às ruínas, permaneceram de pé as muralhas da cidade, o Palácio Sponza e o Palácio do Reitor, onde trabalhava e vivia o governador de Dubrovnik.

Curiosamente, uma vez eleito, ele não tinha permissão para deixar o prédio sem autorização do Senado (e isso durante todo seu mandato, que equivalia ao breve período de um mês), tornando-se assim prisioneiro tanto do cargo quanto do prédio onde trabalhava.

Partindo do Palácio do Reitor, o visitante pode se dirigir à Placa Luža (abaixo, à direita), onde ficam a Torre do Relógio e a Coluna de Orlando, local onde se anunciavam decretos e vereditos.

De um lado, fica a entrada para o porto e para o Portão Ploče. De outro, a Stradun (abaixo, à esquerda) com seus prédios uniformes se estendendo até a Grande Fonte de Onofrio e o Mosteiro Franciscano, que guarda uma apotheca, tida como a primeira farmácia da Europa aberta ao público em geral.

Além das atrações intramuros, que incluem museus, templos, feiras e esculturas impressionantes em fontes e prédios públicos, o passeio mais imperdível da antiga Ragusa se dá sobre as muralhas, onde tremulam bandeiras com o brasão croata.

Ali, a cidade já está prestes a se render ao visitante, que perderá o fôlego tão logo suba os degraus de pedra e depare a incrível topografia do lugar coroada pela impávida Fortaleza de São João (abaixo, à esquerda), erguida estrategicamente sobre um promontório.

Nesse ponto, Dubrovnik já não parece uma cidade-estado fincada sobre terreno rochoso, mas o convés de um grande navio flutuando no Adriático. Cada passo é dado com cautela, tão tangível é a sensação, por parte do visitante, de estar balançando em alto-mar, fazendo parte da história dessa cidade com a mesma ilusão de estar apartado do mundo imenso que há lá fora, para além de suas muralhas.

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